Não se tem certeza
sobre quando se iniciou a atividade da prostituição. O que se sabe é que ao
longo do tempo essa prática foi ganhando forma como atividade comercial, sendo
o corpo da mulher o produto comercializado.
Entre as razões para o
surgimento da prostituição, podemos citar aspectos econômicos sociais. Por
volta dos séculos XVIII ou XIX - e talvez até hoje - em alguns lugares do mundo
a mulher era submissa e dependente financeiramente do homem. Uma mulher
adúltera, por exemplo, seria provavelmente expulsa de casa e de sua vida
social. Sem uma profissão e sem ajuda de amigos e parentes, a mulher, por falta
de alternativa, se prostituía. Nesse contexto destacamos dois aspectos: a
necessidade de ganhar dinheiro para sobreviver devido a marginalização social e
familiar. O ponto de vista de dois religiosos, que viveram em épocas bastante
distintas corrobora nossa constatação. O Padre Serra entendia a
prostituição como uma enfermidade, algo anormal. A prostituta era uma vítima, porque era incapaz de trabalhar regularmente. Nessa perspectiva, a mulher
prostituída era uma pessoa “doente”, e por isso perdia o direito de conviver
socialmente, por estar infectada. Já a Madre Antonia acreditava que a
prostituição era uma determinação social, causado pela miséria e pobreza.
A partir do final dos
anos 90, a prostituta vem mudando de perfil, tanto na motivação para
atuar neste mercado quanto na própria definição de prostituta. Em diversos documentários, ou reportagens
sobre o tema que assisti nos últimos 10 anos, a coisa que mais me recordo é o
fato da prostituta não ser mais a menina pobre, que era obrigada pelos pais a
vender o corpo, ou precisava daquilo para se sustentar. No caso das pessoas que se prostituem por opção, tratam-se de mulheres que atuavam no mercado de trabalho e que desistiram dos seus
empregos, pela baixa remuneração, ou estudantes universitárias, que
justificavam a atuação na prostituição para melhorar de vida, adquirir
patrimônio, ou mesmo pagar os estudos.
Já nos anos 2000
surgiram iniciativas públicas para legitimar a prostituição como profissão. O
deputado Fernando Gabeira apresentou um projeto de lei em 2003, que tinha como objetivo reconhecer a prostituição como um serviço de natureza sexual. Há
também uma iniciativa para inserir a atividade na classificação brasileira de
ocupações, tonando-a uma categoria na CLT. Os dois projetos tem como objetivo legalizar e legitimar a
prostituição como prestação de serviço de cunho sexual, ou profissão,
assegurando a esta profissional direito trabalhistas, assim como qualquer outro trabalhador.
Diante do panorama apresentado
neste texto, podemos constatar que a prostituição possui as três
características de um fato social. Para Émile Durkheim, o fato social é
coercivo, externo à vontade do indivíduo, e é generalizado. A Coerção é relativa
à força que os fatos sociais exercem sobre os indivíduos, levando-os a se
conformarem com as regras da sociedade em que vivem, independente de suas
vontades. A externalidade se refere a quando alguma coisa existe e atua sobre os
indivíduos, independente de sua vontade. Já a generalidade acontece quando o fato
social atinge a sociedade como um todo, ou pelo menos grande parte dela, e é
recorrente.
Bibliografia:
Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor. Disponível em:
http://www.oblatas.org.br/artigos_detalhes.asp?codigo=17&categoria=3&subcategoria=2.
Acesso em: 09 nov. 2013.
RODRIGUES, Marlene Teixeira. A prostituição no Brasil contemporâneo: um trabalho como outro qualquer? Revista Katálysis: vol.12 no.1 Florianópolis Jan./June 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141449802009000100009&script=sci_arttext. Acesso em: 09 nov. 2013.
RODRIGUES, Marlene Teixeira. A prostituição no Brasil contemporâneo: um trabalho como outro qualquer? Revista Katálysis: vol.12 no.1 Florianópolis Jan./June 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141449802009000100009&script=sci_arttext. Acesso em: 09 nov. 2013.
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